Resenha - A Morte da Luz

“Dirk contemplou a água, onde o grande sol vermelho, esgotado e capturado, balançava assustadoramente para cima e para baixo no lendo deslizar das ondas. E quase pode ver os fantasmas dos quais ela falava, espectros que se apinhava, nas duas margens do rio e cantavam lamentos por coisas que havia muito perdidas.”
Se eu já admirava o trabalho do autor George R. R. Martin antes, agora, após ler A Morte da Luz, seu romance de estreia, passei a admira-lo ainda mais, coisa que eu nem imaginava que fosse possível. Não que este livro seja melhor que A Guerra dos Tronos ou qualquer outro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Na verdade, nem acredito que tal comparação seja aceitável, já que ambas são obras distintas e possuem seus próprios méritos.

Worlorn é um planeta moribundo. Após um grande festival que reuniu povos de diversos planetas, onde cada um deles construiu uma cidade de acordo com as características de sua cultura, o planeta é quase que completamente abandonado, preso ao crepúsculo, seguindo em direção à noite sem fim.

E é para esse cenário que Dirk t’Larien é levado atendendo ao chamado de Gwen, um antigo amor que parecia perdido. Mas a realidade é bastante diferente do que Dirk imaginava. Gwen agora está ligada a Jaan Vikary e Garse Janacek por laços culturais que Dirk não entende e nem aceita. E mesmo sem ter completa consciência das consequências de seus atos, ou de quem é amigo ou inimigo, Dirk fará o possível para libertar sua amada de tal vinculo.

Sou obrigado a admitir que iniciei a leitura de A Morte da Luz com as expectativas um pouco baixas devido a alguns comentários negativos que li sobre o livro anteriormente. E durante as primeiras páginas do livro até cheguei a considerar que tais comentários estavam corretos, já que seu início é um pouco lento e bastante introdutório.

Entretanto, ao estudar a cultura que me era apresentada com mais atenção, fui percebendo o quão interessante, complexa e fascinante ela era. E mais, com o passar das páginas fui percebendo o quão importante foi essa introdução feita pelo autor. George R. R. Martin, mais uma vez, começava a me maravilhar com o seu dom de criação.

E como se isso não fosse o suficiente, ainda temos uma gama de personagens tão interessantes quanto o cenário político-cultural da obra. Cada um deles está lutando por aquilo em que acredita, e por isso existem inúmeros momentos em que é quase impossível decidir quem está certo ou errado em meio a tantos acontecimentos.

Acredito que entre os quatro personagens principais seja impossível destacar apenas um como o mais importante. Cada um deles possuem seus drama e conflitos internos, o que torna a leitura ainda mais fascinante. Nenhuma luta é mais dolorosa do que aquela contra si mesmo e aqui podemos encontrar muito disso. O choque cultural, a honra, os laços entre esses personagens. Elementos chaves que ajudam a tornar essa trama tão grandiosa.

Já em seu primeiro livro Martin mostrava o quão grande autor ele seria. Em A Morte da Luz encontramos uma trama fascinante, repleta de significado e de uma profundidade que vai muito além das páginas. Somos apresentados a um planeta errante, fadado à morte, mas que sem dúvida alguma ficará na mente daqueles que tiverem a oportunidade de conhecê-lo por muito tempo. Mesmo após a chegada da noite sem fim.

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