Resenha - A Maior Conquista de um Homem


“Todos já fizemos isso. Todos temos segredos que não contamos a nossas caras-metades. Todos evitamos contar aquele detalhe estranho de nosso comportamento, ou sutilmente desconversamos sobre algo que preferíamos que não soubessem. Todos nós alugamos um quarto secreto do outro lado da cidade a fim de nos esconder durante metade da semana para fugir daquele universo bebê, chato e exaustivo. Bom, talvez essa última afirmação diga respeito só a mim.”
Michael Adams possui a vida que pediu a Deus. Durante parte da semana ele é livre para passar horas e mais horas na cama e tantas outras jogando videogame ou fazendo o que lhe der na telha em seu apartamento de solteiro, dividido com outros três amigos. Em contrapartida, durante a outra parte da semana, Michael é um amoroso e prestativo pai de família, com uma mulher e dois filhos que precisam de sua atenção.

E por incrível que pareça esse arranjo parece funcionar perfeitamente para Michael. Afinal, sua vida de boêmio faz com que ele seja feliz em sua vida de casado, o que, segundo ele, não aconteceria se ele fosse obrigado a conviver diariamente com sua família, tendo de lidar com os problemas oriundos do fato de ser marido e pai todos os dias.

Claro que nós, leitores, ao nos depararmos com tal estilo de vida somos levados a julgar de cara, levando em conta a ideia da instituição familiar que já temos. Entretanto, ao entendermos as motivações de Michael tudo parece tão mais aceitável e prático. É claro que com o livro sendo narrado em primeira pessoa somos levados a observar apenas o ponto de vista do personagem sobre sua vida e seu casamento, o que faz com que entendamos mais rapidamente suas motivações.

O humor é parte fundamental da trama e John O’Farrell é extremamente feliz na hora de usa-lo, mesmo que cometa alguns deslizes. Existem certos momentos durante o livro em que somos bombardeados com uma série de informações e fatos completamente desnecessários que deveriam soar de maneira cômica, mas que só conseguem tornar a leitura cansativa em determinados pontos.

Apesar de tudo, admito que a trama mesmo só veio a me conquistar completamente em seus momentos finais quando Michael é obrigado a lidar com as consequências de sua vida dupla. Claro que desde o início temos ótimos momentos, mas o desfecho foi sem dúvida o que mais me chamou atenção e me proporcionou os melhores momentos durante a leitura.

A Maior Conquista de um Homem consegue cumprir bem seu papel de entreter, divertir e ao mesmo tempo fazer determinadas críticas a sociedade. Um livro que se for lido sem grandes expectativas sem dúvida irá agradar ao leitor. Em suma, uma leitura leve e descompromissada que irá conquistar os leitores que iniciarem a leitura buscando exatamente isso.

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