Resenha - O Natal de Poirot


“Com certeza ocorrera uma luta terrível. Móveis pesados haviam sido tombados. Vasos de porcelana estavam estilhaçados no chão. No meio do tapete da lareira, em frente às chamas altas, jazia Simeon Lee em uma grande poça de sangue... Havia sangue respingando por toda parte. O lugar lembrava um matadouro.”
Há bastante tempo ansiava por ler algum dos livros da Agatha Christie e quando, ao procurar algum de seus livros, encontro um com o título O Natal de Poirot percebi imediatamente que o escolhido não poderia ser outro. O simples fato de sabermos, a partir do título, que a trama se passa no natal já temos uma boa ideia do que iremos encontrar durante a leitura, afinal, o natal é a melhor época do ano para se passar com a família, e nada é mais instigante do que uma boa intriga familiar.

Ao iniciar a leitura somos apresentados a cada um dos filhos do desprezível Simeon Lee, que recebem o convite de seu pai para que passem, depois de anos, o natal em família. E tal convite causa espanto em todos, afinal, os Lee não são - nem de perto - um bom exemplo de família unida, e o maior culpado disso é sem dúvida o próprio Simeon.

E é na véspera de natal que o pior acontece: Simeon Lee é brutalmente assassinado em seu quarto nas circunstâncias mais improváveis possíveis, fazendo com que cada um de seus filhos e suas respectivas esposas, sua neta, que ele acabara de conhecer, o filho de um antigo amigo e os criados da sua casa se tornem suspeitos desse terrível crime. E cabe a Hercule Poirot resolver esse intrincado mistério.
“- Quem poderia adivinhar que o velho tinha tanto sangue dentro das veias?”
Sendo Agatha Christie a rainha do crime acredito que seja impossível iniciar qualquer um de seus livros sem grandes expectativas, principalmente neste caso, já que este foi o primeiro livro da autora que tive oportunidade de ler. E claro que este foi apenas o primeiro de muitos que ainda virão.

Todo o mistério criado por Agatha conseguiu me envolver completamente. Junto com Poirot tentei ligar as pistas que me levariam a solução do crime, sempre desconfiando mais de um ou outro personagem, mas Agatha estava sempre muito à frente de mim e ao final da leitura fui pego totalmente de surpresa quando o verdadeiro culpado foi finalmente revelado.

E claro, não poderia deixar de falar da capacidade da autora em criar figuras extremamente interessantes, começando por Poirot e sua forma de pensar e agir. Entretanto, não poderia deixar de destacar aqui o clã Lee. Cada membro desta família possuía uma complexidade bastante singular e todos eles de alguma forma conquistaram minha empatia. Admito até que, ao final da leitura, fiquei ávido por mais intrigas deste clã, mas terei de me contentar com outros mistérios de Poirot que sem dúvida conseguirão se mostrar tão intensos quanto este.

Por fim, afirmo que a escrita de Agatha Christie conseguiu me conquistar completamente. Não vejo a hora de ter outro romance da rainha do crime em mãos, o que, acredito eu, não demorará muito para acontecer, afinal, já passei tempo até demais longe de seus livros.

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