Resenha - Adormecida


“Mas que escolha eu tinha, presa em um mundo que não era meu, com a minha vida nas mãos dos outros? Jantas, falar com a psicóloga, preparar-me para as aulas. Fiz tudo o que me disseram para fazer. Pois era tudo o que eu podia fazer.”
Mesmo estando um tanto saturado de distopias acabei dando uma chance a Adormecida, principalmente devido aos inúmeros comentários positivos que encontrei sobre o livro. E toda expectativa criada por tamanha aprovação de outros leitores conseguiu ser bem suprida durante a leitura, com algumas poucas ressalvas.

Após ficar mais de 60 anos em um sono profundo induzido pelo estase, pratica restrita onde seres humanos são colocados para dormir em um tubo onde ficam impedidos de envelhecer ou morrer, Rose acorda em um mundo completamente diferente daquele que conhecia antes de adormecer. Seus pais estão mortos, o rapaz por quem ela era apaixonada não é mais do que uma mera lembrança e ela ainda têm de lidar com o fato de ser a herdeira de uma corporação multimilionária.

Sem entender o motivo de ter sido deixada em estase por tanto tempo e tendo de lidar com as consequências de seu retorno, Rose terá de aprender a viver nesse novo mundo, que ainda tenta se recuperar dos Tempos Sombrios, onde boa parte da população foi dizimada por doenças que pareciam ter desaparecido para sempre. E como se tudo isso não fosse o suficiente, o retorno de Rose parece não ter agradado a todos, o que deixa a garota em sérios riscos.

Adormecida foi sem dúvidas uma ótima surpresa. E digo isso no melhor sentido da palavra. Não inicie a leitura achando que o livro não passa de uma releitura de A Bela Adormecida, como fui levado a achar inicialmente, pois ele está longe disso. A única semelhança entre as duas histórias fica apenas no fato de que em ambas as personagens principais são induzidas em sono profundo.

São inúmeros os pontos positivos do livro, mas dois ganham absoluto destaque: a construção do cenário futurístico e seus personagens. Em ambos os casos encontramos uma construção bastante sólida e interessante. A autora consegue responder bem todas as questões levantadas durante a narrativa, sem deixar nenhuma ponta solta.

Não poderia deixar de citar aqui a construção da personalidade de Rose. Os conflitos internos vividos pela personagem, principalmente aqueles oriundos da forma como ela foi criada por seus pais, me proporcionaram ótimos momentos durante a leitura e foi interessante observar a evolução da personagem.

O romance também ganhar destaque em Adormecida e somos apresentados à belíssima (e curiosa) história de amor entre Rose e Xavier. Não sei ao certo se gostei do rumo que esse relacionamento tomou ao final do livro, a meu ver soou um pouco forçado, mas como tal fator não possui grande relevância para trama principal não liguei muito.

Outro ponto que não me agradou muito foi o suspense. Já na capa do livro somos avisados que “...qualquer um pode ser inimigo.”, mas em momento alguém senti que a vida de Rose ou de qualquer outro personagem estivesse realmente em risco, não senti a urgência que tal situação deveria demonstrar. Mas felizmente a autora consegue se redimir disso com ótimas reviravoltas nos momentos finais do livro.

Com uma interessante mistura entre ficção cientifica, romance, suspense, ação, um cenário futurista convincente e a ótima construção de personagens fui logo fisgado pela narrativa de Anna Sheehan. Adormecida acabou sendo uma ótima e bem-vinda surpresa, e como é bom ser surpreendido assim por um livro que inicialmente não havia nem me chamado tanta atenção.

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