Resenha - O Hobbit

“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo; tampouco uma toca seca ou vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.”
Iniciei a leitura de O Hobbit com grandes expectativas, afinal, quando se é um grande fã da literatura fantástica, assim como eu, é impossível iniciar qualquer livro escrito por J. R. R. Tolkien de outra forma. Mas fui pego completamente desprevenido quando com apenas uma frase - “Numa toca no chão vivia um hobbit.” – fui completamente imerso na narrativa do autor.

Em O Hobbit somos levados juntamente com Bilbo, Gandalf e uma comitiva de anões em uma verdadeira expedição pela Terra Média na intenção de roubar o tesouro guardado por Smaug, o Magnífico. E a cada cenário ou personagem que nos é apresentado durante a narrativa faz com que sejamos ainda mais imersos pela trama.

Tolkien é um verdadeiro mestre e ao ler seus livros fica clara a razão pela qual tantos autores têm como inspiração suas obras até os dias de hoje e, com toda certeza, por anos e anos a fio. Não é qualquer um que tem a capacidade de criar um mundo tal qual o de Tolkien: único, instigante, maravilhoso, enfim, acho que já está mais que claro que adjetivos não irão faltar.

A narrativa de O Hobbit é feita em terceira pessoa de uma maneira incrivelmente apaixonante e bem humorada. Em diversos momentos o narrador ‘conversa’ com o leitor o que faz com que a narrativa flua facilmente durante todo o livro. Particularmente, sempre apreciei bastante tal estilo narrativo e acredito que este seja o diferencial de O Hobbit , o bom humor e a leveza presente em quase toda narrativa.
“Foi bem nesse momento que Bilbo de repente descobriu o ponto fraco do seu plano. É muito provável que vocês já tenham percebido há algum tempo, e estejam rindo dele, mas não acho que teriam feito nem a metade em seu lugar.”
Um dos poucos problemas de O Hobbit é a falta de aprofundamento de alguns personagens, em especial, os anões da comitiva. Bilbo, como não poderia deixar de ser, afinal, é o personagem central da trama, ganha total destaque e nossa admiração e simpatia pelo personagem só faz crescer durante o livro. Gandalf é a figura misteriosa, que mesmo não tendo tanto destaque quanto Bilbo já ganha nossa total atenção em qualquer uma de suas aparições. Entretanto, é difícil encontrar nos anões, com exceções, algo que realmente fique marcado e nos ajude a diferenciá-los uns dos outros. Não que isso venha a atrapalhar a narrativa num todo, mas sem dúvida um aprofundamento um pouco maior iria enriquecer ainda mais a trama.

Inúmeros outros personagens, todos extremamente interessantes, também nos são apresentados durante a leitura. E, apesar de também ficar ávido por conhecê-los melhor, neste caso, admito que seria uma tarefa um tanto complicado fazer um aprofundamento maior de todos sem que o livro perdesse sua essência.

Terminei a leitura de O Hobbit sedento por mais, fato este que só serve para demonstrar a qualidade da obra. E fico extremamente feliz em saber que tenho muito mais a conhecer da Terra Média além do que me foi apresentado aqui. Muitos outros amigos e jornadas inesperadas ainda me aguardam e não vejo a hora de poder vivê-las. 

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