Resenha - A Culpa é das Estrelas

“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.”
Imagino que seja quase impossível iniciar a leitura de A Culpa é das Estrelas sem grandes expectativas. Todo o marketing feito em cima de livro e o enorme número de pessoas comentando o quão emocionante ele é acabou por criar essa expectativa no leitor. E posso afirmar que ela é sim suprida, entretanto, a promoção do livro foi tanta que devo admitir que iniciei a leitura esperando uma história superior a que encontrei.

Todo o livro é narrado em primeira pessoa por Hazel Grace, uma paciente terminal de 16 anos que possui câncer desde os 13. E é no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer que sua mãe a obriga a ir onde ela conhece Augustos Waters, um sobrevivente do câncer, e juntos decidem viver o pequeno infinito de dias que ainda lhe restam.

Logo nas primeiras páginas de A Culpa é das Estrelas somos envolvidos pela história de Hazel, uma personagem extremamente marcante e carismática. O fato de o livro ser narrado em primeira pessoa pela própria Hazel também nos ajuda a ter uma aproximação maior com a personagem e a partir disso passamos a entender seus medos, desejos e anseios de forma bastante clara.

Mas essa aproximação não é feita apenas com Hazel. Grande maioria dos personagens é fundamental para a trama e ganham um ótimo – e às vezes sutil - aprofundamento para que o desenrolar da narrativa tenha sucesso em cativar e emocionar o leitor. E é exatamente esse o grande trunfo de A Culpa é das Estrelas, pois o livro não é focado no câncer ou na luta e superação de uma pessoa com câncer, mas sim em seus personagens.

Apesar de tudo sou obrigado a dizer que senti falta de um diferencial maior na trama. Sim, fui seduzido pela narrativa de John Green, por seus personagens, ri, refleti e me emocionei durante a leitura e sem dúvida alguma este será um dos livros que sempre olharei com enorme carinho, entretanto, não posso deixar de pensar em outros livros e até mesmo filmes que tratam do mesmo assunto de maneira semelhante e que por isso fazem que um pouco (e bem pouco) do brilho de A Culpa é das Estrelas seja ofuscado.

De qualquer forma a qualidade e a beleza de A Culpa é das Estrelas se sobressai a qualquer defeito que o livro possa ter. Tenho absoluta certeza que você irá se apaixonar por Hazel e tantos outros personagens que compõem este livro e claro, pela narrativa ágil e repleta de significado de John Green.

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