Resenha - Sobrevivente

Qualquer que fosse o meu problema, eu não queria que ele fosse curado. Nenhum dos pequenos segredos dentro de mim queria ser encontrado e explicado. Pelos mitos. Pela minha infância. Pela química. Meu medo era: o que restaria?"
Diferente de tudo que já li, Sobrevivente acabou sendo uma grande surpresa. Iniciei a leitura sem saber ao certo o que esperar do livro e posso dizer que ele já inicia de forma bastante peculiar. A história de Sobrevivente começa pelo capítulo 47 e pela página 353, ou seja, pelo fim. E logo de cara somos apresentados a Tender Branson, que sequestra um avião e durante as horas que restam até que o combustível chegue ao fim nos relata todos os fatos que o levaram até aquele momento.


Descobrimos que Tender é um dos últimos sobreviventes da Igreja de Crendice, uma comunidade quase extinta de fanáticos religiosos onde quase todos cometeram suicídio buscando “A Libertação”. Tender nos conta sobre sua monótona vida como faz-tudo na casa de um casal e sobre sua linha telefônica, onde ele aconselha pessoas desesperadas a cometer suicídio. Mas Tender tem sua vida completamente mudada quando ele passa de “um dos últimos sobrevivente” para “o último sobrevivente” da seita de Crendice, transformando-se assim em uma verdadeira celebridade religiosa.

Sendo este o primeiro livro do autor Chuck Palahniuk que tive a oportunidade de ler não pude deixar de me surpreender com o estilo do autor. Todo o livro é recheado de ironias, sarcasmo, críticas e repleto de humor-negro, tendo como alvo principal as instituições que possuem grande influência na vida das pessoas, como a mídia e a religião, por exemplo.

A narrativa de Sobrevivente pode ser facilmente dividida em dois momentos: o antes da fama e o depois da fama. No primeiro temos uma narrativa mais lenta e monótona, que é quase um reflexo da vida do próprio Tender. Já no segundo a narrativa se torna mais rápida e fluída, inclusive, tornando-se mais ácida.

Durante toda a leitura somos apresentados a situações que beiram ao bizarro, mas que possuem um significado bem maior que isso, e foi nesse aspecto que a escrita de Palahniuk mais me surpreendeu. Diante disso é quase impossível que, ao ler Sobrevivente, o leitor não fique curioso em ler outros livro do autor e descobrir quais as situações e os tipos de personagens estão presentes em seus outros livros.

Entretanto, Sobrevivente não é nem um pouco indicado para aqueles mais puritanos, que se incomodam com uma leitura mais pesada. Mas para quem procura uma leitura diferente e polêmica pode ler Sobrevivente sem medo, tenho certeza de que você não irá se arrepender.

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