Resenha - Private

“Shelby estava deitada de costas no meio da cama, nua e morta.
Tentei absorver todos os detalhes, mas era impossível compreender a cena. Ela havia levado um tiro na testa. Considerando o acúmulo de sangue nos lençóis de cetim branco, parecia que levara também um segundo tiro, no peito.”
Sendo este o primeiro suspense do autor James Patterson que tive a oportunidade de ler, e já tendo me apaixonado por sua escrita ao ler O Diário de Suzana para Nicolas, não poderia estar mais animado ao iniciar a leitura. Seria exagero dizer que acabei me decepcionando com o livro, pois não foi o que aconteceu, mas admito que esperava uma narrativa bem mais eletrizante do que a que encontrei.

Em Private somos apresentados ao dia a dia de uma agência de investigação mundialmente famosa comandada por Jack Morgan, um ex-soldado que ainda sofre com traumas deixados pela guerra. E é importante resaltar em como o autor foi fiel ao retratar essa rotina. Ao todos temos três casos principais sendo resolvidos ao mesmo tempo, além de outros que são apenas citados por alto – o que faz com que tenhamos uma impressão mais verossímil da agência.

E foi exatamente essa multiplicidade de casos que me chamou atenção para o livro inicialmente e fez com que eu o passasse na frente de outros livros do autor que já estão em minha estante há algum tempo. Entretanto, Private se mostrou bastante aquém ao que eu esperava. Sempre espero ficar grudado do início ao fim da leitura quando se fala em suspense e não foi o que aconteceu aqui.

O livro, claro, possui qualidades inegáveis e personagens extremamente interessantes, todavia, conhecemos pouco deles devido ao grande número de casos sendo resolvidos ao mesmo tempo, fazendo com que em certos momentos fique difícil até mesmo distinguir quem é quem ou quem faz o quê na agência. Os únicos personagens que conseguem se destacar realmente são Jack e Justine, já que maioria dos capítulos são narrados pelo ponto de vista dos dois.

Outro ponto interessante da história (e talvez meu favorito) é o difícil relacionamento de Jack com seu irmão gêmeo do mal, mesmo que não tenha sido tão explorado neste primeiro volume da série. Mas ao final temos um gancho que me fez ter certeza que esse relacionamento terá mais destaque nos próximos volumes e se tornará ainda mais interessante e conturbado.

Um dos pontos baixos é sem dúvida o excesso de clichês. Não que eu tenha alguma coisa contra eles, clichês quando bem trabalhados funcionam, mas em Private eles tornaram algumas resoluções bastante previsíveis. Acredito que faltou um pouco de ousadia por parte do autor que durante todo o livro prefere não sair da zona do conforto, pelo menos foi essa minha impressão.

Ao final do livro temos alguns ganchos que devem ser trabalhados no próximo volume da série e que me deixaram bastante curioso pela continuação, mas admito que ainda não me decidi se pretendo lê-la ou não.

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