Resenha - Jogador Nº 1


"Até que, na noite de 11 de fevereiro de 2045, um nome de avatar apareceu no topo do Placar, para o mundo todo ver. Depois de cinco longos anos, a Chave de Cobre finalmente foi encontrada por um garoto de 18 anos que vivia em um parque de trailers, às margens da cidade de Oklahoma.
Aquele garoto era eu.
Dezenas de livros, desenhos, filmes e minisséries tentaram contar a história de tudo o que havia acontecido depois, mas todos estavam errados. Assim, quero registrar o que se passou de fato, de uma vez por todas."

Foi procurando uma leitura leve e divertida que comecei a ler Jogador Nº 1, e posso afirmar que encontrei isso e muito mais no livro, que acabou sendo não só uma grande surpresa, mas também um dos livros mais divertidos do ano, até agora.  Um livro repleto de referências à cultura pop dos anos 80 que fará com que os leitores mais velhos tenham um verdadeiro banho de nostalgia e com que os mais novos conheçam mais sobre essa incrível época.

No ano de 2044 o mundo está em crise. Nem mesmo os grandes avanços tecnológicos conseguiram combater a fome e a pobreza que aumentam cada vez mais desde que os combustíveis fósseis passaram a ser escassos. E agora, para as pessoas, o único refúgio que as mantém longe dessa triste realidade é o OASIS – uma utopia virtual que permite a seus usuários ser o que eles quiserem, em um lugar onde você pode viver e se apaixonar em qualquer um dos seus milhares de planetas.

E foi no OASIS que se criador, James Halliday, escondeu toda sua fortuna para, apenas após a sua morte, criar uma competição que daria ao vencedor tudo que ele conquistou ao longo dos anos, ou seja, uma fortuna de 240 bilhões de dólares e a propriedade do OASIS. E sendo Halliday aficionado pela cultura pop dos anos 80, época de sua adolescência, toda competição para encontrar seu ovo da Páscoa (Easter Egg) está relacionada a essa época, sendo por meio de jogos, músicas, filmes ou qualquer outro elemento da cultura pop do final do século XX.

Mas não pensem que são apenas os personagens do livro que conseguem esquecer-se do mundo a sua volta quando são transportados para outra realidade. Nós, leitores, também nos esquecemos de tudo ao nosso redor ao mergulhar nas páginas de Jogador Nº 1 de forma que as 646 páginas da obra parecem passar rápido demais, deixando no leitor com um gostinho enorme de quero mais ao final da leitura.

Todo o livro é narrado em primeira pessoa por Wade Watts, um caça-ovo profissional que passou a dedicar sua vida em busca das três chaves escondidas dentro do OASIS por Halliday. E antes mesmo de iniciar a caça pelo ovo Wade só possuía uma vida de verdade dentro do OASIS, já que sua vida real havia se tornado um verdadeiro inferno desde que sua mãe faleceu e ele ter sido obrigado a morar em um trailer com sua tia.

Mas Wade é apenas um dos vários personagens presentes na trama, sendo todos eles extremamente bem construídos e carismáticos. E nem mesmo o fato do livro ser narrado em primeira pessoa faz com que torçamos unicamente por Wade na busca do ovo. Por diversas vezes me senti extremamente dividido ou sem saber ao certo por quem torcer, mais uma prova da qualidade da escrita de Ernest Cline e de seus personagens.

E com tantos personagens interessantes e carismáticos não poderia deixar de existir um antagonista a altura, neste caso, a empresa IOI, que na intenção de tomar posse do OASIS e privatizá-lo fazem de tudo para vencer a caça ao ovo. E foi exatamente a guerra entre caça-ovos contra a IOI e vice-versa que proporcionaram os momentos mais tensos e angustiantes do livro.

E nem preciso falar sobre as inúmeras referências presentes em Jogador Nº 1. Não consigo nem imaginar o quão grande foi a pesquise de Ernest Cline que, assim como Halliday, é um grande admirador do final do século XX. Eu mesmo já saí em busca de inúmeros filmes, músicas e jogos citados na obra na intenção de entender melhor o motivo tanto fascínio por parte do autor.

Outro ponto bastante positivo na obra é a crítica social presente por trás de toda a trama e os inúmeros questionamentos que ela nos trás. Será que estamos realmente caminhando para um futuro ontem tudo passará a ser virtual? Em determinado ponto da história encontramos até mesmo um grupo de jovens que por decisão própria se isolam completamente da sociedade, passando o resto dos seus dias logados no OASIS.

E acredito que a forma como esse ponto de vista é trabalhado funciona bem exatamente pelo fato dele não proibir uma “vida virtual”, apenas alerta que ela deve existir com maior moderação e deixa bem claro que, por mais difícil que seja em alguns momentos, a vida real é muito mais prazerosa.

Então é claro que Jogador Nº 1 está mais que recomendado para todos, principalmente para aqueles que possuem certa intimidade com a cultura pop dos anos 80, pois tenho certeza que estes poderão desfrutar desta incrível obra muito mais que eu, que ainda tenho um “relacionamento” bastante tímido com a época. Um livro que, sem dúvida alguma, fará o geek que existe dentro de você extremamente feliz.

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