Resenha - A Dança dos Dragões

"Acima de todos eles, o dragão se virou, negro contra o sol. Suas escamas eram negras, seus olhos, chifres e e chapas da coluna espinhal eram vermelho-sangue."
Não costumo fazer resenha dos livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo, entretanto, ao terminar a leitura de A Dança dos Dragões, quinto volume da série de George R. R. Martin, senti a necessidade de fazer algumas considerações sobre o livro. Não focarei em nenhum acontecimento em particular da história de nenhum dos livros, então você pode ler a resenha completa sem medo de spoilers.

Mas, antes de falar sobre o livro em si, é necessário que você entenda que O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões são uma única história e se passam (quase que totalmente) ao mesmo tempo, ou seja, a divisão entre estes dois volumes e geográfica, não cronológica. Enquanto o primeiro foca nos acontecimentos de Porto Real, Dorne, Ninho da Águia, Correrrio e nas Ilhas de Ferro o segundo nos leva até o Norte, passando pela Muralha e para além dela, sem falar também no que está acontecendo do outro lado do mar. Mas isso só acontece até determinado ponto, por volta da metade de Dança os personagens que vimos em Festim voltam a dar as caras e tudo volta ao normal.

Então, ao iniciar a leitura de A Dança dos Dragões, eu não poderia estar mais ansioso pelo que estava por vir, principalmente pelo fato de que muitos dos meus personagens favoritos não tinham dado as caras em O Festim dos Corvos, então só agora eu iria saber o que estava acontecendo com eles. Já havia lido diversos comentários sobre o livro e não era raro ler algum que afirmava que este era o melhor volume da série até o momento. Achei o início dele um pouco lento, mas nem por isso desanimei, achava que o autor iria apenas distribuir algumas peças e logo a narrativa iria engrenar, então continuei a ler com a mesma expectativa, aguardando o momento em que eu não iria conseguir largar o livro, momento esse que nunca chegou.

É importante deixar bem claro que o livro não é ruim, de forma alguma. A qualidade da escrita de Martin não pode ser negada. O autor continua a brincar com seus personagens e nos surpreender com acontecimentos inesperados, mesmo que estes estejam em menos quantidade neste volume. Sem falar o nível de criacionismo e complexidade a que o autor conseguiu chegar, todavia, acredito que essa seja uma faca de dois gumes.

A complexidade de escrita de George R. R. Martin é tanta  que em oitocentas páginas o autor simplesmente não consegue fazer com que sua narrativa evolua de maneira satisfatória como acontece em A Tormenta de Espadas, por exemplo. Muitos capítulos se tornar extremamente maçantes e, pela primeira vez, o excesso de descrição do autor começa a me incomodar, são inúmeros os parágrafos gastos com descrições de roupas e comidas, o que não seria um problema se a narrativa fosse mais relevante.

Outro ponto que me entristece é que muitos dos personagens perderam um pouco do seu brilho. Não foram poucas às vezes em que eu chegava a um capítulo de Tyrion (É, DO TYRION), revirava os olhos, fechava o livro e deixava a leitura para outra hora. Daenerys consegue protagonizar ótimos momentos, mas tudo muito aquém do que eu esperava da personagem neste volume em particular.

Mas não pensem que o livro não está recheado de ótimos diálogos, momentos incríveis e revelações surpreendentes, inclusive, temos ótimos momentos com Jon Snow, Bran e Fedor, um já conhecido personagem da saga. O grande problema é o número imenso de personagens e acontecimentos que muitas vezes parecem não levar a lugar nenhum. Já estamos no quinto livro da série, o fim está próximo e ainda não temos nenhuma indicação que a história está chegando perto de um desfecho.

Em suma, apesar de ainda termos momentos incríveis em A Dança dos Dragões, ao menos para mim, o marasmo presente em grande parte da leitura conseguiu se sobressair. Talvez um bom modo de ler este quinto volume seja encarando ele como um livro de preparação, sem esperar grandes momentos de ação ou muitas respostas.

De qualquer forma, ainda confio plenamente em George R. R. Martin e rezo aos Sete para que em Os Ventos do Inverno a séria consiga mais uma vez me entusiasmar como já fez tantas vezes. O difícil é agora aguardar, já que, ao que tudo indica, a espera até o próximo volume será mais longa que a longa noite.

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