Resenha - O Atlas Esmeralda

- Nossos pais estão vivos – dizia Kate ou Emma ou Michael – E um dia vão voltar para nos buscar.
Naturalmente, não tinham nada que sustentasse tal crença. Havia dez anos, foram deixados no Orfanato St. Mary, às margens do rio Charles, em Boston, numa véspera de natal de muita neve, e desde então não tinham ouvido nenhum boato sobre seus pais ou qualquer outro parente. [...] Ainda assim, continuavam a acreditar, no fundo do coração, que os pais voltariam a aparecer um dia.

Um mundo completamente novo, aventuras e perigos inimagináveis, viagens no tempo, todo o mundo prestes a ser destruído. Se você já leu alguma aventura infanto-juvenil com certeza irá lembrar-se de alguma estória que apresenta alguns desses pontos em suas tramas. E são esses pontos, essa mistura incrível, que me faz ser tão apaixonado por esse gênero que, mesmo com o passar do tempo, está sempre presente na minha lista de leituras.

Já li um bom número dessas aventuras este ano, entretanto, foram poucos os livros infanto-juvenis que conseguiram realmente me prender. Foram poucos os que conseguiram fazer com que eu viajasse para dentro da narrativa, como era tão comum acontecer. Naturalmente, passei a ler menos o gênero, outros interesses começaram a surgir e acabei deixando tais narrativas em segundo, terceiro plano. E é exatamente por isso que não poderia ter escolhido melhor momento para ler O Atlas Esmeralda que fez com que eu, mais uma vez, me apaixonasse por essas aventuras.

Há dez anos, desde que foram subitamente acordados e separados de seus pais sem nenhuma explicação, Kate, Michael e Emma passaram de orfanato em orfanato até chegaram à estranha cidade de Cambridge Falls. Já estalados na casa do dr. Pym os três irmãos encontra um livro que as transporta para o passado e, a partir daí, são abrigados a enfrentar intermináveis perigos e começam a entender o real motivo de terem sido abandonados pelos pais, em um cenário repleto de criaturas e seres fantásticos. Esta é a história de três crianças que só queriam salvar sua família e acabam tendo de salvar o mundo.

Como já deixei bem claro O Atlas Esmeralda conseguiu me conquistar completamente. A narrativa de John Stephen, desde as primeiras páginas de sua obra, me fez mergulhar completamente na estória desses três irmãos, que são outro grande acerto do autor. Kate, Michal e Emma possuem características sólidas e cada um tem seu devido destaque durante a trama. Não foi difícil criar empatia pelos três irmãos e logo me vi sofrendo junto deles em cada momento de dificuldade.

Mas a verdade é que o acerto do autor não se resume apenas aos três irmãos, cada um dos personagens tem suas funções bem definidas na trama e são todos incrivelmente carismáticos. Aproveito para destacar também a Condessa, grande vilã deste volume que, por mais detestável que seja, também possui um carisma inegável.

A leitura flui facilmente durante todo o livro com uma estrutura familiar e gostosa de ser lida. Por diversas vezes lembrei-me de outras aventuras que tanto amo, como As Crônicas de Nárnia e Desventuras em Série, o que fez com que minha identificação com a narrativa aumentasse ainda mais. A trama também possui uma ótima conclusão que consegue encerrar bem maioria dos arcos que foram iniciados neste primeiro volume, mas claro, deixando alguns outros que serão trabalhados mais adiante.

Mesclando inúmeras características fantásticas com o mundo real O Atlas Esmeralda consegue conquistar o leitor logo em suas primeira páginas. A mistura de personagens carismáticos, boas tramas, viagens no tempo e um humor bastante pontual fará com que qualquer amante das aventuras infanto-juvenis se apaixone por este livro. E, para aqueles que estão um pouco afastados do gênero, esse é, sem dúvida, uma ótima opção para matar a saudade.

0 comentários:

Postar um comentário