Resenha - Delírio

“Não gosto de pensar que continuo andando por aí com a doença em meu sangue. Às vezes sou capaz de jurar que posso senti-la se movendo por minhas veias como algo estragado, tipo leite azedo. Isso faz com que me sinta suja [...].”
Dificuldade de concentração, mudanças no apetite, insegurança, habilidades racionais comprometidas. Todos esses são sintomas de uma perigosa doença que ataca quando menos esperamos: o amor. E em Delírio conhecemos uma sociedade em que o amor não é só uma grave doença, como também existe uma cura, que é injetada nos cidadãos ao completarem dezoito anos.

E é nessa sociedade que conhecemos Lena, que anseia e conta cada dia restante até ela possa, finalmente, receber a cura. Sua mãe foi infectada pelo amor deliria e agora está morta, e por isso que a garota teme tal doença mais que tudo. Porém, antes de receber a tão sonhada cura, Lena é infectada, fazendo com que todo o seu mundo e tudo o que ela acreditava ser verdade entrem em conflito.

Delírio possui uma premissa, no mínimo, ousada. O amor é o sentimento que rege nossas vidas, sendo assim, é praticamente impossível imaginar uma sociedade em que ele não exista. Entretanto, Lauren Oliver conseguiu retratar essa realidade extremamente bem, apesar de deixar algumas (poucas) perguntas sem resposta, o que não prejudica a narrativa de modo geral.

Um dos pontos que acho mais interessante em uma distopia é exatamente a forma como o autor cria a sociedade a ser trabalhada, assim como os arranjos políticos presentes nela. Sendo assim, a sociedade que conhecemos ao ler Delírio acaba por se tornar extremamente interessante, pois, como já falei, é extremamente difícil imaginar a inexistência do amor em nossas vidas. E mesmo que nesse primeiro volume não possamos ter um conhecimento mais profundo do lado político acredito que, nos dois próximos volumes, ela será bastante acentuada e extremamente importante para a conclusão da trama.

O romance, como não poderia deixar de ser, tem absoluto destaque me Delírio e, diga-se de passagem, conseguiu me conquistar completamente. No livro não temos romances bobos, nem adolescentes com graves problemas de insegurança, a trama simplesmente não permite isso. Temos sim um relacionamento repleto de medos, mas a forma como ele é construído, a luta de Lena e Alex por esse amor apesar de todos os bloqueios impostos pela sociedade e, principalmente, a reflexão que Lauren Oliver nos faz ter sobre esse sentimento faz com que Delírio  ganhe destaque diante de tantos outros romances que temos em nossas estantes.

A Editora Intrínseca conseguiu fazer um ótimo trabalho na edição do livro, não que ele possua uma diagramação diferente do usual, mas os pequenos detalhes ajudam a enriquecer o trabalho da editora. A única coisa que não gostei muito foi a capa escolhida para a edição brasileira que, mesmo sendo muito bonita, não representa bem a trama do livro.

Narrado em primeira pessoa pela própria Lena Delírio possui uma leitura extremamente fluida. A escrita de Lauren Oliver conseguiu me prender totalmente e agora me encontro extremamente ansioso pelo segundo volume dessa trilogia. Tenho certeza que o gancho deixado pela autora irá deixar qualquer um louco por lr Pandemônio.

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