Das páginas para a tela | 02


Para Sempre poderia facilmente se destacar das comédias românticas que seguem sempre a mesma formula. O filme poderia ser uma verdadeira história de superação, amor e fé. Uma história que, assim como o livro, nos faria perceber que grandes histórias de amor existem sim no mundo real. Mas, infelizmente, nada disso é mostrado. Temos apenas mais um comédia romântica que até consegue entreter nas quase duas horas de filme, mas que é facilmente esquecida após isso.

Acredito que todos saibam que o filme Para Sempre é baseado na história real de Kim e Krickitt Carpenter que, com apenas alguns meses de casados, sofrem um trágico acidente de carro onde Krickitt perde parte de sua memória e esquece completamente do marido. Como já falei na resenha, o livro é na verdade um relato dessa fase da vida do casal, nos mostrando como ambos conseguiram atravessar todas essas dificuldades e salvar seu casamento.

Por ser um relato, talvez o livro não consiga prender ou deixar o leitor emocionalmente ligado à trama, e é por isso que eu imaginava que o filme conseguiria dar o fechamento perfeito ao livro. Poderíamos, finalmente, ver a história de Kim e Krickitt com alguns arranjos que nos deixariam mais ligados à história. Mas o que encontramos ao ver o filme não é a história de Kim e Krickitt. Temos o acidente, temos a perda de memória e, basicamente, só.

Não sou desses que acha que os filmes devem seguir fielmente aquilo que encontramos nos livros, entendo perfeitamente que muitas mudanças são mais que necessárias, afinal, são dois meios de entretenimento diferentes. Entretanto, quando adaptado, a essência do livro deve continuar presente no filme. Mas em Para Sempre isso não acontece, o filme prefere esquecer grande parte dos valores mostrados no livro, nos entregando apenas uma história rasa e totalmente esquecível.

Ao ler os livros percebemos que duas coisas foram essenciais para que Kim e Krickitt pudessem superar todas as dificuldades: a família e a fé, ambas completamente esquecidas pelo filme. Enquanto no livro a família tem papel fundamental em todos os momentos da vida do casal, no filme ela é apenas a grande vilã da história durante quase todo o tempo. A fé de Krickitt nem mesmo é citada. Também não encontramos o mesmo Kim do livro, que luta arduamente para conseguir ter sua Krickitt de volta. Temos apenas mais do mesmo, onde era possível construir um filme inesquecível para muitos.

Servindo apenas como forma de entretenimento Para Sempre é, sem dúvida, um bom filme. Entretanto, poderia ser muito, muito mais que isso. É uma pena que os valores que tal filme poderia transmitir e que são tão necessários nos dias de hoje possam ser tal facilmente esquecidos, assim como o próprio filme acaba sendo. Ao final, que também foge bastante do real, fica apenas a sensação de já ter visto aquilo, inclusive com os mesmos autores, não é mesmo Channing Tatum?

PS: No filme o nome dos personagens é modificado.
PS²: A impressão de que o final é igual ao de Querido John foi só minha?

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