Resenha - O Ano da Leitura Mágica

"Eu assumi o compromisso de passar um ano lendo por um motivo. Porque as palavras são testemunhas da vida: elas registram o que aconteceu e tornam tudo verdade. Palavras criam histórias que se transformam em histórias inesquecíveis. Histórias sobre as vidas relembradas nos levam para o passado ao mesmo tempo em que nos permitem seguirmos em frente."
Livros. Se você está lendo essa resenha você, provavelmente, é apaixonado pelos livros. E O Ano da Leitura Mágica fala exatamente dessa paixão, a paixão de ao ler um livro entrar em um mundo novo, conhecer novas pessoas e, muitas vezes, fugir da dor do mundo real, como Nina Sankovitch fez ao ler um livro por dia durante um ano.

Após perder a irmã mais velha, Anne-Marie, para o câncer, Nina se vê perdida. Ela simplesmente não consegue entender o porquê merece viver enquanto sua irmã teve de morrer, e é por isso Nina decide aproveitar ao máximo sua vida. Ela tinha de ser feliz, por ela e por Anne-Marie. Além disso, ela também tinha a obrigação de fazer seus pais, que sofriam com a morte da filha, felizes, além de seu marido e quatro filhos.

Mas Nina não consegue lidar com a morte da irmã, ela se culpa por uma coisa sobre a qual não tinha controle e por isso acaba tentando se tornar alguém que não é. O fato de ela estar viva e a irmã não, se transforma em um fardo que ela é abrigada a carregar por muito tempo, mas sempre tentando ignorá-lo.

E mesmo passados três anos desde a morte de sua irmã, três anos tentando viver ao máximo, ela finalmente percebe que não conseguia se livrar da tristeza, e muito menos fazer com que todos ao seu redor fossem felizes. Então, Nina decide utilizar exatamente o que ela e sua irmã tinham em comum para poder parar e repensar sua vida: Os livros.
“Livros. Quanto mais eu pensava em parar e voltar a ser uma só pessoa sã, mais eu pensava nos livros. Eu pensava em fugas. Não correr para fugir, e sim ler para fugir.”
E é em seu aniversário de quarenta e seis anos que Nina inicia seu projeto. Ler um livro por dia durante um ano, e usar isso como uma fuga, uma fuga de volta à vida. E mais, além de ler um livro por dia ela também deve fazer uma resenha e postar em seu site, dividindo assim essa fantástica aventura literária com todos.

O Ano da Leitura Mágica é diferente de qualquer livro que eu já tenha lido. Na capa dele temos uma frase retirada de uma crítica do The New York Times que diz: “Uma celebração a leitura”, e essa frase não poderia estar mais correta. Ao compartilhar um pouco dessa experiência com Nina passei a enxergar a leitura de uma forma completamente nova e passei a amar ainda mais os livros. A cada livro lido ela recebe algo e nesse livro ela compartilha isso com o leitor.
“As pessoas compartilham os livros que amam. Elas querem espalhar para os amigos e familiares a sensação boa que sentiram ao ler um livro ou as ideias que encontraram nas páginas deles. Ao compartilhar um livro amado, um leitor está tentando compartilhar o mesmo entusiasmo, prazer, medo e ansiedade que experimentou ao ler. E por que mais o fariam? Compartilhar o amor pelos livros ou por um livro específico é uma boa coisa. Quem dá um livro não está exatamente expondo a alma para uma rápida olhada, mas quando o entrega com o comentário de que é um de seus preferidos, está muito próximo de expô-la.”
Durante a leitura também somos apresentados a vários livros e autores. Alguns já conhecidos, como os livros Crepúsculo e Pequena Abelha, e muitos outros dos quais eu nunca tinha ouvido falar, mas que devido aos comentários de Nina entraram para lista de livros que desejo ler no futuro.

A narrativa flui bem durante quase todo o livro, mas em determinados pontos ela se torna um cansativa. Nina mescla o relato de seu ano de leitura com histórias de seu passado e o do passada da sua família, algumas bastante interessantes, como a da família de seu pai que vivia na Bielo-Rússia durante a Segunda Guerra Mundial, e outros que torna a leitura mais lenta e cansativa.

No livro, não existem momentos em que ficamos grudados à leitura, mas acompanhar essa história e saber que ela realmente aconteceu faz com que criemos um elo com Nina, que em diversos momentos nos expõe sua alma.

Apesar disso, não acredito que ela tenha lidado com a morte da irmã da forma correta, principalmente nos três primeiros anos após a morte de Anne-Marie. Ela se culpa constantemente e para de viver para si e passa a tentar viver pela irmã. Mas me identifico com Nina quando ela encontra seu refúgio nos livros, como muitas vezes eu próprio já fiz, e finalmente começa a encontrar a paz que tanto desejava.

E mesmo que O Ano da Leitura Mágica não esteja entre meus livros favoritos, é um livro que irei sempre lembrar com carinho. Acho que consegui amadurecer um pouco enquanto o lia, também aprendi bastante, mas o principal é que com ele passei a amar ainda mais os livros, e esse é o melhor presente que Nina poderia me dar.

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