Resenha - Um Mundo Brilhante

"Levou um minuto até que percebesse realmente o que havia visto e até que seu cérebro, ainda atordoado por causa da ressaca e pela descrença, pudesse extrair algum sentido da imagem que estava diante dos seus olhos. O absurdo daquela situação foi o que o atingiu primeiro, e ele quase riu; mais tarde, aquilo faria com que pensasse se o ocorrido seria prova de que, como Sara dizia de tempos em tempos, ele era incapaz de mostar empatia e capaz de agir com a mais assustadora crueldade."
Com o conjunto de uma sinopse interessante e o ótimo trabalho feito pela Novo Conceito na capa e diagramação do livro, assim que foi anunciado o lançamento de Um Mundo Brilhante minha expectativa para lê-lo era gigante. E o livro possui muitos elementos que, sem dúvida alguma, me fariam apreciar a leitura, entretanto, isso não aconteceu como eu esperava. E o culpado disso é Ben, o personagem principal da estória.

Um Mundo Brilhante inicia quando o professor Ben encontra em frente a sua casa um jovem caído e testemunha seus últimos instantes de vida. Ao conhecer a irmã do rapaz ele começa a desconfiar que o garoto possa ter sido vítima de um assassinato e se propõe a ajudá-la a provar o crime. Porém, um sentimento mais forte começa a nascer entre os dois, o que deixa o relacionamento de Ben e sua noiva, Sara, ainda mais difícil.

Inicialmente achava que o mistério sobre o assassinato seria parte fundamental da trama, mas isso não acontece. Logo ele passa para segundo plano, e serve apenas como uma forma de fazer com que Ben e Shadi se encontrem regularmente. Mesmo que Ben sempre seja categórico em afirmar que quer se manter afastado de Shadi, devido ao seu relacionamento com Sara.

Como já mencionei Ben é o grande problema do livro. Ele é egoísta e infantil ao extremo, em nenhum momento cheguei a sentir a mínima empatia pelo personagem e seus dramas. Em todo o livro ele funciona como uma âncora que impede que todos a sua volta, e até que ele mesmo, consiga evoluir de alguma maneira.

Nem mesmo seu envolvimento na busca do assassino de Ricky parece ser um ato de altruísmo da parte dele, já que em muitos momentos fica claro que a única razão de estar envolvido na busca do assassino é ter um motivo para se aproximar de Shadi, apesar dele próprio afirmar o contrário.

Mas o maior motivo da minha falta de empatia com Ben é o modo como ele trata Sara. Em um momento, em que Sara está feliz e de bom humor, ele diz que ainda a ama, para no momento seguinte, apenas pelo fato dela estar silenciosa, dizer que não suporta sua presença.

Quanto ao final do livro, achei bastante satisfatório. Apesar da questão dos culpados pelo assassinato ter ficado em segundo plano durante quase toda a obra a resolução final foi muito boa. O que não gostei muito foi o final dado a Ben. Deu a impressão de que o livro, que teve inúmeras chances de evoluir em sua narrativa, continuou parado.

A narrativa, que é feita em terceira pessoa, mostra sempre o ponto de vista de Ben. Inicialmente ela flui rapidamente, mas aos pouco começa a se arrastar e tornar-se mais cansativa. Mas, apesar disso, Um Mundo Brilhante é um livro fácil de ler.

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