Entrevista: Patrick Rothfuss, autor de O Nome do Vento

A série A Crônica do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss, é sem dúvida uma das melhoras séries épicas que já tive a oportunidade de ler. Para quem não conhece pode conferir a resenha do primeiro volume dela, O Nome do Vento, clicando aqui. E aguardem, em breve sai a resenha de O Temor do Sábio, segundo volume da série.

Abaixo vocês podem conferir uma entrevista concedida pelo autor ao site Denver Post, traduzida pelo blog 3 Canecas. Na entrevista Patrick fala sobre a trilogia, como ele lida com a fama e se existe ou não a possibilidade de seus livros ganharem uma versão cinematográfica. 

Você já pensou em não terminar os livros, somente continuar com sua coluna (ele escreve uma coluna no jornal da universidade) e suas aulas?
P: Claro. Isso acontece com qualquer pessoa que escreve qualquer projeto longo. Eu o levei a sério e coloquei devotei muito tempo nele, mas em nada difere com qualquer outro hobby. Nós conhecemos pessoas que gastam milhares de horas em suas coleções de selos, ou em seus trens (modelismo), ou mesmo em seus jardins. Eu ficaria cansado disso e pararia por dois meses ou por meio ano.
A coisa mais legal sobre um hobby, é que você está fazendo isso porque quer. A mentalidade do hobby é que você nunca vai chegar na metade de um trilho do seu trem de brinquedo e pensar “Eu nunca vou vender isto por um milhão de dólares e ficar famoso”. Como qualquer coisa que você ama, você pode ficar cansado disso, mas geralmente isso passa
Então seu livro era um hobby. Agora o que é?
P: Agora é meu trabalho. E por isso tive que fazer alguns ajustes. Agora meu hobby é WorldBuilders (uma organização que arrecada fundos para Heifer International, através leilões de livros de fantasia que são difíceis de achar).
Um dos seus temas principais é fama, e como as reputações são formadas. Te parece irônico ter que lidar com a sua fama?
P: (Risos) Provavelmente o fato de conseguir manter um semblante de gente que está ok com todo este processo é que eu costumava escrever sobre humor em uma coluna para o jornal da universidade local. Eu tive a experiência de celebridade em pequena escala e é quase como se eu tivesse sido vacinado. É profundamente desorientador ir de zero para celebridade.
Mas fama é algo que as pessoas costumam cobiçar agora. Você não acha?
P: Eu provavelmente ansiei (a fama) quando era criança. Quando eu penso em fama, eu penso naquele antigo clipe dos Beatles, que tinha uma garota gritando e chorando. Quando você tem 18 anos, você olha para aquilo e pensa  “Eu desejo muito que alguém sinta aquilo por mim”. Talvez, se eu tivesse 23 anos, eu estaria adorando como um astro do rock, mas talvez seja porque sou  de Midwest, e eu estou completamente confortável com isso.
Eu nunca comecei isso para me tornar famoso. Quero dizer, quando você tem 14 anos, você pensa “Vou me tornar um escritor, e as pessoas vão querer meu autógrafo e isso vai ser muito legal” mas você cresce e aprende que não é assim que as palavras funcionam. Eu me conformei para o fato de que provavelmente eu nunca seria publicado e se eu fosse, provavelmente não seria grande coisa. Então eu tive realmente sorte e acabei ficando com o pacote todo de fama e dinheiro.
Já que você tocou no assunto, você ganhou bastante dinheiro?
P: Eu tive que largar meu emprego, o que parece mais impressionante do que realmente é, se você não soubesse que eu era um assistente de professor de meio período na universidade local, ganhando cerca de 15 mil dólares por ano. Mais tarde, com as vendas do segundo livro, eu tive que lidar com dinheiro num nível diferente.
Você um dia disse que seus livros são como uma sátira. O que você quis dizer?
P: É mais ou menos um problema do tipo “Ninguém implica com meu irmãozinho, só eu”. Eu posso satirizar com fantasia porque eu adoro fantasia e a conheço muito bem. Criando um mundo inteiro e ainda assim me divertindo com o gênero foi a coisa mais difícil destes livros.
Quando ouvi Peter S. Beagle dizer que o último unicórnio foi o livro mais difícil que ele já escreveu, que é um conto de fadas que também satiriza contos de fada pensei “é isso o que eu vou fazer”.
É uma fantasia heróica que também tira sarro de fantasias heróicas que ficaram meio cansativas. Eu não queria que este livro só pudesse ser apreciado por pessoas que leram milhares de livros de fantasia. Eu queria que ele fosse lido do seu próprio jeito.
Você tem um final.
P: Oh, sim.
Como você separou o manuscrito em diferentes livros?
P: Eu tive que descobrir isso antes de ir a um editor. Você não pode simplesmente ir e dizer “Toma, algo que é mais longo que a bíblia”. Você quer poder dizer que aqui está algo que pode ser considerado um livro sozinho, mas que é o primeiro de uma trilogia. Eu já tinha escolhido onde iria encerrar o livro e eu tinha que garantir que o primeiro livro fosse satisfatório sem que eu tivesse que fingir um final.
Essa história terá mais que 3 livros?
P: Esta história terá 3 livros. Eu disse isso no começo e continuarei com esta ideia. Com isso dito, existem mais histórias neste mundo.
No que mais você está trabalhando?
P: Um RPG, mas isso não sairá até eu terminar o terceiro livro.
E com relação a um filme?
P: Eu fiz uma história integrada que a torna muito difícil. Eu vinha falando com um roteirista mas o problema é como você terminaria o primeiro filme? Harry Potter é ótimo, porque Harry Potter enfrenta o Voldemort no final de cada filme. No meu, não há nenhuma grande luta de espadas no final, então como você vende isso a um monte de produtores de Hollywood?

0 comentários:

Postar um comentário